Sucesso

Tornando-se Empreendedor

Edição 01, 2020

Tornando-se Empreendedor

MS Subramanian |autora

Edição 01, 2020

TN Hari |autora

Edição 01, 2020


Um conjunto de organizações da nova geração criaram pela primeira vez um novo ambiente na realização de negócios inteligentes na Índia, fornecendo soluções inovadoras para os problemas do país, afirmam os mentores de start-ups, TN Hari e MS Subramanian

Imagine um cenário onde um agricultar numa aldeia indiana remota consegue verificar a qualidade do solo no seu terreno e receber previsões de meteorologia de uma localização específica antes de plantar as sementes, ou manter um registo do seu rebanho remotamente, tudo através de um telemóvel. Curiosamente, com o advento da tecnologia móvel avançada no país e o impulso de start-ups agro-tecnológicas inovadoras, esta situação já não é imaginária. E a agricultura não é apenas o setor no qual as start-ups de tecnologia na Índia estão a resolver os seus micro-problemas. Contudo, até bem recentemente, muitos empreendedores indianos de primeira geração afastaram-se da resolução dos problemas locais ou em trabalhar com tecnologias avançadas. Isto pode ser parcialmente atribuído à falta de financiamento ousado e corajoso, e como resultado os negócios tiveram que ser criados em volta da resolução de problemas que pudessem gerar lucros positivos. As soluções para os problemas locais precisavam de alterarações nos comportamentos dos clientes e preços baixos. Invariavelmente, acabaram por gerar períodos de gestação maiores e prejuízos iniciais. Esta situação pedia a intervenção de investiores abastados, nervos de aço e alguma audácia. Tendo em conta a pequena quantidade de oportunidades de mercado na Índia, esses investidores afastaram-se.

O Primeiro Ministro Narendra Modi discursa durante a reunião de almoço na Start-up India, uma iniciativa fundada pelo governo para apoiar os negócios da nova era do país

A GRANDE MUDANÇA

No entanto, a BRICS, um acrónimo criado em 2006 (África do Sul adicionada em 2010) para refletir o poder do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – uma associação com as cinco principais economias emergentes com a capacidade de reformular a economia mundial – causaram uma mudança na atividade e poder económico desde o mundo desenvolvido às economias emergentes. Esta ação mudou a visão global do tamanho e potencial do poder de consumo na Índia. Uma mudança que originou grandes oportunidades para o capital – oportunidades que moldaram os destinos da Europa, após a revolução industrial, ou dos EUA, após a II Guerra Mundial. Esta mudança expôs o potencial macroeconómico da Índia ao mundo e investir na história de crescimento da Índia tornou-se na nova tese de investimento de capital de risco e de empresas com fundos de cobertura, start-ups energéticas, na qual, usar tecnologia centrou os esforços para resolver problemas locais. De certa maneira, a nova ordem mundial chegou!

Inovação indígena

  • Mais de18 por cento de todas as start-ups na Índia estão a incorporar a tecnologia profunda. Este número constituía apenas 8 por cento das start-ups criadas em 2014, e assistimos a um rácio de crescimento anual composto de 40 por cento.
  • As start-ups indianas criaram um número estimado de 60,000 postos de trabalho diretos e 1.3-1.8 lakh de trabalhos indiretos no país
  • A Índia tem o terceiro maior número de empresas de capital com capital de risco no mundo, e está previsto que quadrupliquem até 2020
  • Das cerca de 9,000 start-ups tecnológicas fundadas na Índia até 2019, 1,050 são da área da sáude, e 20 da área da agricultura; 18% das start-ups potenciam a IA, blockchain, BigData, robótica, etc.

NOVAS FRONTEIRAS

As soluções fornecidas pelos programas do governo da União com a Start-up India e Digital India suportam os novos empreendedores da era moderna para inovar de uma forma mais inteligente e eficaz. Um caso adequado é o India Stack que se tornou uma plataforma subjacente para o crescimento da Digital India. Sendo um conjunto em constante crescimento de APIs, oferece uma infraestrutura colaborativa e técnica na qual as empresas de tecnologia e o governo podem crescer e inovar.  A India Stack também está a demonstrar como uma rede livre de profissionais no país está a replicar o que a Open Source despoletou há 20 atrás em Palo Alto (uma empresa multinacional americana de cibersegurança). Focando na inclusão financeira, ou seja, adicionando quem não tenha contas no banco ao sistema bancário formal, as infraestruturas de pagamentos IPU, ou Interface de Pagamentos Unificados, da Índia, foram um enorme sucesso.

OUTRAS  SOLUÇÕES

Os empreendedores da nova era criaram todo um ecossitema de micro-empreendedorismo. Esse empreendedorismo tem o potencial para mudar o paradigma do emprego e do panorama no país, se for gerido corretamente. Um exemplo é a startup Bigbasket, uma das maiores lojas online de bens alimentares da Índia. Não só oferece serviços aos clientes urbanos, como também trabalha proximamente com cerca de 10,000 agricultores, ensinando práticas de agricultura científica e ajudando a melhorar a sua qualidade de vida no processo.

Co-fundadores da Zomato Deepinder Goyal/ CEO (E) e Pankaj Chaddah/COO nos seus escritórios em Gurgaon;

Similarmente, muitas outras plataformas de tecnologia indígenas como a Ola (uma companhia de partilha de boleias), a Swiggy (plataforma de encomendas de comida online) e a Urbanclap (oferece serviços para a casa e de estilo de vida) não só preencheram necessidades urbanas como ajudaram a criar um campo de oportunidades para pequenos empreendedores, criaram postos de trabalho e geraram lucro. Na área das viagens e do turismo, as start-ups online TripAdvisor e Zomato aumentaram subitamente a descoberta de pequenos destinos turísticos e restaurantes. O principal grito de ordem é que estes empreendedores e empresas da era moderna não estão apenas a oferecer serviços inteligentes: estão a capacitar as comunidades e a resolução de problemas que as pessoas enfrentam no seu quotidiano. Não é surpreendente que a maioria das instituições de ensino já possuam cursos de empreendedorismo e os alunos tenham começado a optar pelo empreendedorismo mesmo antes de se formarem. Não há dúvida de que os historiadores de negócios se vão referir a esta década como o ponto de viragem no empreendedorismo na Índia!

Fundadores da Bigbasket sediada em Bengaluru que já conta com oito milhões de clientes em 25 cidades indianas

MS Subramanian

O MS Subramanian atualmente chefia a função de analista na Bigbasket. Ele tem experiência de mais de 20 anos em liderança analítica. É um orador frequente na indústia e em fóruns académicos como analista especialista

TN Hari

T N Hari é assessor e mentor de inúmeros jovens empreendedores e start-ups. Ele é também um Assessor Estratégico na Fundamentum (um Fundo de crescimento criado pelos decanos do mundo da India Startup). Ele chefia o departamento de Recursos Humanos na Big Basket e é conhecido como o homem dos RH da start-up.
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